terça-feira, 20 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Lisboa





ESTA LISBOA QUE EU AMO..




terça-feira, 6 de setembro de 2011

Ama Roma

Reppublica Italiana



Comune di Roma



Itália teve o marco de ser o último país deste percurso. Roma por si já estava carregada de simbolismo.

Deixei o México com um sorriso e apanhei um vôo em direcção ao velho Continente. Antes de partir finalmente para Lisboa optei por acabar a viagem em Itália. Decidi dar um salto a Roma e visitar o Coliseu, a última das 7 maravilhas do Mundo Moderno.

A realidade é que nestes 2 anos as maravilhas foram bastante mais que 7. Disso não tenho dúvidas.

E que melhor maneira de acabar este percurso do que em Roma. Foi em Roma que tudo começou em Janeiro de 2007, quando decidi vir estudar para a cidade eterna (Erasmus). A minha escolha teve, portanto, razões emocionais muito mais intensas e profundas do que o próprio Coliseu, que já havia visitado 4 anos antes.

Foi em 2007 que comecei a descobrir o verdadeiro prazer de viajar e viver num país diferente, apesar das diferenças culturais não serem tão marcantes. Foi também neste período que comecei a aprender o verdadeiro significado de estar sozinho, companheiro de mim mesmo. O Erasmus foi o início de um desejo de viajar pelo desconhecido, de ir mais além, de descoberta interior, de relações sociais.

É neste sentido que falo quando me refiro a "razões emocionais muito mais intensas e profundas". São estas as razões que me ligam a Roma.

Ainda nos tempos de faculdade tive oportunidade conhecer Valeria, uma companheira de curso que me ajudou num período de confusão e stress de exames. Tornámo-nos Amigos e assim que lhe falei da minha ideia de acabar a viagem em Roma (ainda estava no México), decidiu receber-me de braços abertos em sua casa. Este é um lado que não posso deixar de referir. A hospitalidade Calabresa é genuína.

Em 2007 ambos vivemos em San Lorenzo, um bairro típico de Roma, longe do bulício do turismo de massas (que tanto caracteriza Roma e que facilmente se entende porquê). A cidade, além de eterna é linda. Pois bem, ela ainda vive em San Lorenzo (em tom de brincadeira apelidei-o de Bairro Alto de Roma) e tal não foi o meu sorriso quando recebi essa notícia. Voltava a casa. Que bom.

Na minha segunda vez em Roma fiz aquilo que mais gosto de fazer: deambular pela cidade, perdido, descobrindo esta e aquela rua, varandas floridas e terraços de palazzi escondidos, visitando locais de interesse que já havia visitado e descobrindo novos lugares perdidos no tempo, bairros típicos, comer pizza a taglio, comer muitos gelados, beber uma Peroni em San Lorenzo ou ir a uma festa à tarde num terraço com música experimental, com as muralhas Romanas como pano de fundo. Priceless.

E o meu fascínio manteve-se. Roma é como o vinho, quanto mais velha melhor. E não conseguimos passar indiferentes a tantos anos de história, aos monumentos de 3, 4, 5, 6 séculos que nos aparecem sem avisar ao passar da esquina. Somos constantemente bombardeados com história e cultura, quer queiramos quer não.

O meu post sobre Roma não terá links da wikipédia nem adaptações de guias. Terá somente algumas referências ao que senti enquanto aqui estive.

Aqui começou o meu trajecto. O princípio do fim.



San Lorenzo


Este foi o bairro que habitei e ao qual voltei 4 anos depois. Senti as mudanças, mas ao mesmo tempo senti tudo na mesma. Algumas lojas diferentes, um pouco mais de turismo mas a mesma energia. Senti nostalgia em voltar à casa onde vivi e passei por ela com um sorriso, por todas as vivências positivas que experienciei.

A arte na rua, os graffittis, os aperitivos ao final da tarde no Celestino a beber um cocktail, encostado a um carro a falar com Amigos e a ouvir a doce melodia da língua italiana. Os últimos raios de sol que incidem sobre a torre da igreja, um pedaço de pizza e uma Peroni.

Good times.














San Giovanni


Depois de instalado, enquanto estudava em Roma, acabei por conhecer melhor a cidade e criar uma espécie de roteiro para aqueles que me vinham visitar e tinham pouco tempo.

Saindo de casa, passavamos pela muralha e dirigiamo-nos até à porta Maggiore, que nos dava acesso à rua que nos levaria até à imponente igreja de San Giovanni. Sempre com a muralha do nosso lado direito, finalmente avistávamos esta obra arquitectónica do séc. IV.

Para ser sincero, gosto bastante mais desta Igreja do que da Basílica de São Pedro. São ambas imponentes e ostensivas, mas para mim, esta assume um tamanho mais adequado, proporcional e estético.





Porta Maggiore de noite



Arcibasilica del Santissimo Salvatore e dei Santi Giovanni Battista ed Evangelista in Laterano









Colosseo e Foro Palatino (Romano)

O trajecto pela cidade continua e descemos a rua que fica do lado direito da Igreja e nos leva até ao famoso Coliseu. Ao longe avistamos um pouco desta "colossal" obra arquitectónica, que ainda hoje se mantém em bom estado de conservação e nos impele a fantasiar sobre os tempos em que o Coliseu estava repleto de gente e vida.

Desta vez arranjei paciência para a fila gigante e decidi entrar dentro do mesmo. A vista exterior agrada-me mais, apesar de ter aprendido sobre o Coliseu como nunca havia feito.

Quanto ao forum Romano, se em 2007 havia uma parte grátis que podíamos visitar, em 2011 estava fechado e só pagando é que tínhamos acesso a ele. Sendo que estava incluido no preço do bilhete do Coliseu, aproveitei para dar um salto às ruínas.

Lembro-me de aqui ter vindo com os meus colegas ver Isabel Allende ler um excerto do seu livro, seguindo-se uma banda de jazz dedicada à escritora. Tudo com o forum em pano de fundo, e as ruínas iluminada, criando uma atmosfera que nos transportava no tempo com uma facilidade incrível.. Se vos disser que foi lindíssimo acreditam?







Vista sobre o Foro








Circo Massimo


O sol vai alto e cada vez mais intenso. Tempo de parar e beber água fresca dos muitos bebedouros espalhados pela cidade. Parece que Roma tem imensos lençois de água, daí que a mesma esteja sempre a correr. Aproveitamos esse facto para baixar a temperatura corporal e seguir viagem.

Chegamos ao Circo Massimo. Esta antiga pista de cavalos hoje está convertida num jardim gigante em forma de pista de Skate. Em 2007 era verdejante mas agora estava em obras. Nos meus tempos de estudante passei muitas tardes deitado na relva, relaxando, observando os outros em meu redor, os namorados que se beijam apaixonadamente, os Amigos que riem em conjunto..

Foi também no Circo Massimo que assisti a um concerto grátis do Phil Collins. Uma vez mais, as muralhas e as ruínas eram o pano de fundo. Os cenários incríveis repetem-se e as boas memórias ficam.

No final do Circo fica a famosa Bocca della Veritá. Desta vez estava repleta de turistas, que faziam fila para tirar a photo clássica com a mão dentro da boca. Olhavam para a câmera, sorriam. Próximo!

Tempo de continuar.



Circo Massimo







Musei Capitolini


Subimos a rua em direcção aos Musei Capitolini e damos com este cenário pelo caminho. Wow. Que privilégio!




Subimos a escadaria até chegarmos à Piazza del Campidoglio e Marcus Aurelius olha-nos do seu cavalo. Os Musei Capitolini foram abertos em 1734 por Benedetto XIV que reuniu peças de arte e arqueologia. São considerados os primeiros Museus do mundo.

Do lado esquerdo da fonte encontramos a estátua da Loba amamentando os irmãos Rómulo e Remo, fundadores da Cidade de Roma na mitologia.











Vittoriano


Ali ao lado está o Vittoriano (1911-35), amado por uns, odiado por outros. No meu caso, por um lado concordo com os que defendem que o monumento é um pouco desadequado para a cidade, indo contra a arquitectura da mesma. Por outro, não posso deixar de reconhecer a imponência de Vittoriano.

Em acréscimo, desta vez construíram um elevador que nos levava ao topo do monumento e nos presenciava com uma vista soberba (360º) sobre a cidade eterna. Amei.








Fontana


Descemos a escadaria principal do Vittoriano e atravessamos a Piazza Venezia até à Via del Corso. Tempo para almoçar uma pizza a taglio numa qualquer pizzeria perdia nas ruelas junto à Fontana di Trevi. Ao chegar deparei-me com um cenário intenso, repleto de turistas que buscam freneticamente um lugar junto à fonte para poder lançar a moeda e cumprir a lenda que anuncia um regresso a Roma.

Enquanto aqui vivi vi a Fontana vezes e vezes sem conta, repleta e vazia. Um dos momentos altos que registo da mesma foi numa noite de Primavera, onde acabei por passar umas horas a admirar a fonte, praticamente sozinho. Nessa noite senti o sublime de tamanha obra arquitectónica e a energia romântica que dela emana.

Ficou no coração.








Pantheon


Deixamos a Fontana e atravessamos a Via del Corso até ao outro lado. As ruas estreitam e tornam-se ruelas. O cenário é absurdamente belo, com prédios oitocentistas e suas varandas floridas, e a calçada romana prevalece inalterada pelo passar do tempo.

Nada antevê o que aí vem. Desde o Pantheon - "Templo de todos os Deuses" (115-127 AD) à própria piazza onde se situa..será mesmo verdade?

E os fins de tarde sentados na fonte a comer "gelados" a admirar o templo?

;))











Piazza Navona

Passagem obrigatória pela Piazza Navona, a praça que no tempo dos Romanos era um estádio (estadio Domiziano, em honra do Imperador com o mesmo nome).

Hoje é uma das mais belas Praças de Roma, repleta de arte e escultura (Fontana dei Quattri Fiumi), Palácios em seu redor, varandas floridas e vendedores de arte, pintores..

Este foi um local que também visitei diversas vezes de noite em Erasmus, e recordar-me desses tempos, deixou-me um sorriso.












Campo di fiori


O Campo di Fiori é a única praça histórica de Roma onde não está presente um Igreja. Alberga um mercado vivo de frutas e vegetais.

Devido à proximidade de locais de diversão destinados aos Erasmus, foi um local que visitei algumas vezes, ao cair da tarde e durante a noite.

Nas redondezas existem ruas estreitas de calçada romana, flores caídas sobre varandas anónimas, lojas de artesãos e um fascínio crescente ao virar ao dobrar mais um esquina..








Trastevere


O dia já vai longo e nada melhor que terminá-lo em Trastevere. O calor manteve-se e o caminhar aguçou-o. Enquanto percorremos a ponte que nos leva ao outro lado, sentimos o amenizar da temperatura. O desejo de dar um mergulho invadiu-me o pensamento por instantes.

Ao invés, opto por observar o fluir do cenário à minha frente: o caudal pesado e lento, um homem guiando o seu pequeno barco até à margem, os pássaros voando. Medito por segundos.

O nome significa "depois do Tevere (rio), já que esta zona habitacional foi construída do outro lado do rio. Era aqui que me encontrava com as "Portuguesas", com quem passei um excelente Domingo de Páscoa, com um Bacalhau no forno que soube a casa.
Passámos algumas tardes no "Calisto" a conversar sobre tudo e sobre nada. Falavam-me do fascínio que tinham em viver nesta zona, que equiparavam ao Bairro Alto. Eu mantenho-me com a opinião que o Bairro Alto de Roma é mesmo San Lorenzo. Ou talvez um misto dos dois..a rivalidade era saudável. A arte na rua era uma constante e nas noites de verão existem espectáculos de rua e feiras artesanais nas tendas junto ao rio. A arquitectura transportou-me para um bairro típico lisboeta.

Boa.

Voltar aqui e à praça com a fonte de Santa Maria di Trastevere recordaram-me esses momentos. As tarde davam lugar a noites e o tempo foi bem passado.












Half Die in terrazza


O Half Die é um evento organizado por Giovanni Rosace e tem lugar a particularidade de ocorrer no terraço de sua casa na zona de Mandrione. O cenário com as ruínas Romanas como pano de fundo cria uma energia muito compatível com a sessão de 3 horas de música intrumental que se advinhava. Os artistas convidados foram Eisa Luu e Richard Ingram. O evento ocorre poucas vezes ao ano e é BYO (bring your own - alcool).

Este foi apenas um dos muito eventos culturais que dão lugar em Roma e sinto que merece destaque.



O organizador


Eisa Luu



Richard Ingram




Piazza di Spagna


A Piazza surge no trajecto por ser um clássico. As famosas escadarias (consideradas as mais largas do Mundo) ligam a Piazza di Spagna à Piazza Trinitá dei Monti, daí que o nome da escalinata seja Escalinata della Trinità dei Monti.

Está quase sempre repleta de turistas que posam para a photo enquanto comem o seu gelado, usando os seus sacos Dolce & Gabbana, Gucci ou Versace, buscando sentir o glamour associado aos desfiles de moda que aqui são feitos.

É uma zona que não me convence especialmente, apesar da arquitectura ser um motivo de orgulho.











Pincio



Ali ao lado está a Piazza del Popolo, com o seu obelisco Flaminio construído por Ramsés II e levado a Roma por Augusto. Anteriormente estava colocado no Circo Massimo, mas foi movido para esta piazza por domenico Fontana.

Do lado direito está um dos miradouros onde tive oportunidade de observar fins de tarde invríveis, o Pincio. Um deles foi no Inverno, com o sol a recolher-se por trás da imensa cúpula do Vaticano. A sensação foi única para qualquer pessoa, independentemente da religião.

O miradouro dá ligação aos imensos jardins da Villa Borghese, onde nos podemos perder horas a sentir a brisa fresca numa tarde de verão. A arte e a escultura dão vida a um "jardim" que por si só já está repleto de vida, vegetação abundante. O misticismo da Villa Borghese é inegável.


A parte de trás do Pincio, porta de entrada para a Villa Borghese



A vista sobre a Piazza del Popolo e a Via cola di Rienzo




San Pietro


Depois de absorver o momento, seguimos então pela Cola di Rienzo, onde paramos para almoçar mais uma vez. "Há lá uma geladaria que tem uns gelados muita bons"! Mas afinal não é só uma..

Chegamos então à zona do Vaticano, onde damos um salto à Igreja de San Pietro (1506-1626). Revista dos pertences habitual e finalmente entramos. O sentimento que tive desta vez é exactamente igual ao mesmo que tive da primeira vez que aqui entrei. É um sentimento contraditório, de espanto e desprezo. Espanto pela sumptuosidade da igreja, pela cúpula imponente, pelos pés-direitos mais altos que alguma vez vi, pelo ouro talhado nas paredes, pela escultura magnífica, por nos sentirmos pequenos. Desprezo por ser ostensivo ao mesmo tempo, com ouro por tudo o que é lado, com obras de arte que valem milhões, pelo novo púlpito dourado, última aquisição. E não, não era uma doação de um crente.

Mas há mais que isso, e o Museu do Vaticano é sem dúvida um local que merece uma visita. A pintura e a escultura são uma constante e os frescos do Miguel Ângelo um must. A visita é grátis no último Domingo de cada mês, e a melhor altura para o visitar é enquanto o Papa faz o seu discurso Dominical. As confusões\multidões são evitadas..

Esta foi uma zona que conheci bem enquanto estudante, já que o meu primeiro Hostel antes de arranjar um quarto ficava perto. Neste sentido não posso deixar de referir a beleza do Castel Sant´Angelo, junto ao Tevere. A iluminação nocturna é incrível.










Bem, mas ainda há muito mais por falar. Este foi apenas um dos muitos percursos que Roma oferece. E cada vez que descubro mais, mais me fascino.

Tempo de voltar a Portugal.

Deixo Roma com a promessa de voltar. A maldição da moeda encarregar-se-à de me trazer de volta.


Ate jah.



 
Creative Commons Licence
All material posted on SOUDOSQUEFORAM.BLOGSPOT.COM by Antonio M. Santos is licensed under a Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 Unported License.